Mesas Redondas de Debate

Associativismo Juvenil: Passado, Presente e Futuro

Moderador: André Ramos – ARCA
Convidados: Luís Romão – IPDJ • Júlio Oliveira – FNAJ • Nita Barroca – Projecto Novas Descobertas • Nuno António – Moju

A mesa iniciou-se com as boas vindas por parte do moderador, André Ramos, representante da ARCA – Associação Recreativa e Cultural do Algarve, a todos os presentes, aproveitando ainda para sugerir que o tema de mesa deveria ser mudado para “Que Futuro para o Associativismo?” tendo em conta a plateia jovem e interessada que ali se encontrava.
Foi dada a palavra a Luís Romão, Diretor Regional do IPDJ – Instituto Português do Desporto e da Juventude no Algarve, que enquadrou a situação do associativismo juvenil na região algarvia: “Existem atualmente 18 associações juvenis no Algarve e nos últimos anos houve uma descida do número de associações, isto por diferentes causas, como por exemplo o facto de o IPDJ não ser conhecido pelos algarvios. Percebemos, pois, que importa mudar a postura. Assim, não só abrimos a “casa” mas também vamos à procura dos jovens, com a Rota do Associativismo, que são sessões de sensibilização sobre a existência do IPDJ realizadas em clubes e associações por toda a região. É importante que os jovens saibam que o que o IPDJ tem para oferecer, que valências existem a nível da juventude e do desporto”. Acrescentou ainda que “Acredito nos jovens, que podem mudar Portugal. Não só porque não têm responsabilidade nenhuma da situação atual, como também porque não há gerações rascas. Todas as gerações têm potencial. Por isso acredito que podem alterar o panorama atual. E isso pode começar pelo associativismo jovem”.
De seguida, Nuno António, Presidente da MOJU – Associação Movimento Juvenil em Olhão, falou da sua experiência enquanto membro de uma associação juvenil: “Muitas vezes as pessoas pensam que vão criar o próprio emprego ao criarem uma associação, mas é importante que percebam que é um longo caminho até aí. Envolve muito voluntariado e demora tempo. A MOJU começou como um grupo informal e só depois se tornou uma estrutura oficial em 2007. Atualmente temos dois espaços integrados no Programa Escolhas e pertencemos ao YEU – Youth for Exchange and Understanding International através do qual promovemos programas de voluntariado europeu. Mas basicamente somos uma associação que é acima de tudo um grupo de amigos, no mesmo espaço, que trabalham com objetivos comuns”.
Pegando no testemunho do Nuno António, André Ramos aproveitou para sublinhar que as associações têm, muitas vezes, na sua base, grupos informais, sem burocracia inerente, convidando, de seguida, Nita Barroca, do Projeto Novas Descobertas – Associação Educativa e Recreativa, a dar o seu contributo: “Tive a necessidade de fazer projetos e criei a associação. E na altura os tempos eram outros, comunicávamos por carta. Hoje tempos a primeira iniciativa de Permacultura na região”. Dirigindo-se ao público refere ainda que “é muito interessante muitos dos presentes terem o “bichinho” de criar uma associação. É de louvar.”
André Ramos “espicaça” os presentes lançando o repto para o público colocar as suas próprias questões, dúvidas e perspetivas acerca do associativismo jovem. Ao que o público respondeu indagando “como se pode fomentar a comunicação das associações?”. Os convidados da mesa referiram que as soluções podem passar pela formação contínua e também pela proatividade, enaltecendo a importância de “não ficar à espera que os outros vos procurem, vão vocês “chatear” os outros, inclusive os chamados grandes – câmaras e outras entidades”. Foi ainda questionado que “muitas vezes as associações nascem e morrem logo, possivelmente por uma questão de não se saber geri-las. Neste sentido como pode o IPDJ ajudar?”. Luís Romão referiu que o IPDJ está disponível para deslocar a equipa até aos concelhos, acrescentado que consideram criar ações de sensibilização para gestão associativa. Referiu ainda que ser membro do RNAJ possibilita a criação de uma rede de parcerias que pode auxiliar na compreensão de como se gere uma associação e que facilita a troca de recursos humanos e de atividades entre os seus membros. Nuno António aproveita também para dar o seu contributo: “A participação dos cidadãos na sociedade é muito nula. E não há porque ter medo de falhar. Por isso, se um grupo de jovens criou uma associação e ela depois acaba, eles fizeram o seu papel, pelo menos nesse tempo, de serem participativos”.
O público continuou com a questão “Que medidas criar para fomentar o espírito crítico dos jovens? Se a burocracia que envolve criar uma associação é enorme, os custos são altos e as associações sem fins lucrativos são equiparados a empresas?” à qual Nita Barroca respondeu reportando à sua experiência: “No Canadá a cultura do voluntariado é muito forte. Em Portugal não. E tem de ser fomentada. Porque isso ajuda na aprendizagem e enriquece o currículo. Ajuda-nos a crescer com um espirito crítico”. André Ramos acrescentou também que “há mais do que uma solução para um problema. Não nos devemos agarrar à norma, de fazer tudo igual. Pensem “fora da caixa” e encontrem soluções”.
André Ramos aproveita ainda para perguntar ao público “porquê criar uma associação (ou fazer parte de uma associação)?” sendo que foram várias as respostas. Alguns referiram que “uma associação é importante para dinamizar e dar vida à cidade em que estamos, porque são as associações que o conseguem fazer”. Ainda foi referido que se deve ao facto de “nos identificarmos com uma causa ou determinados objetivos” e que “é muito importante fazer parcerias e com uma associação isso é possível. E tudo torna-se mais fácil quando trabalhamos em parcerias”.
Tendo em conta todos os contributos, quer do público, como dos convidados, André Ramos dá por encerrada a mesa redonda, aproveitando para lançar um repto a todos: “Aproveitem estes momentos. E os mais informais também, que são fulcrais. Podermos estar aqui reunidos e trocarmos experiências é muito importante. Mas também é importante que não se deixem convidar para as coisas. Vão, apareçam, façam pressão. Isso ajuda-nos a crescer. Todos nós devemos “cobrar uns dos outros”, por nós próprios, por todos nós”.

Voltar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *