Mesas Redondas de Debate

O Papel da Educação na Cidadania

Moderadora: Ana Leal – ECOS
Convidados: António Fragoso – ESEC • Clif Cândido – Dinamizador Comunitário • Lída Ramos – DGEstE • Ana Paula Grifo – Rede do Programa Escolhas do Algarve

O “Papel da Educação na Cidadania” foi o tema proposto para debate nesta mesa redonda. Ana Leal, da ECOS, deu início aos trabalhos com a apresentação dos convidados e com um convite aos participantes no sentido de colocarem num pequeno post-it a sua palavra definidora de cidadania.

António Fragoso, coordenador dos mestrados de Educação Social e Gerontologia Social da ESEC/UAlg foi o primeiro a lançar-se no tema da mesa redonda e a procurar palavras-chave que melhor definissem o conceito de cidadania. Na sua aceção referiu ser importante a forma como cada um concebe os seus direitos e deveres, como cada um é cidadão e como é que se considera, genericamente, o ser-se cidadão em Portugal ou num outro país qualquer, salvaguardando as diferenças culturais que interferem para a formação dos conceitos.

Como noção fundamental de cidadania António Fragoso destacou que o coletivo é mais importante do que o individual, ilustrando esta noção com o exemplo do senhor que leva o filho à escola e estaciona em cima das passadeira ou do vizinho que coloca o lixo no patamar do prédio, desrespeitando ambos o espaço coletivo. Aproveitando que se falava do papel da educação na cidadania, António Fragoso enalteceu a importância da aprendizagem pelo exemplo.

As apresentações prosseguiram com a intervenção de Lídia Ramos, coordenadora na DGEstE dos encontros de partilhas de boas práticas de cidadania. Partilhou um pouco da sua experiência no Conselho da Europa e elogiou o trabalho que já se vai fazendo nas escolas no âmbito da cidadania.

Esta convidada confessou que o 25 de Abril é ainda hoje a data mais importante da sua vida, pelo que representou em termos de vivência da cidadania. “Se não tivesse havido o 25 de Abril, hoje não seria professora”, assumiu.

Ana Paula Grifo, coordenadora regional do Projeto Escolhas, por seu lado, falou da importância de participar e elogiou a presença de todos os jovens pois o fato de estarem presentes neste EJA’13 representa já uma forma de participação ativa e de cidadania. Esta convidada chamou para debate o tema da mediação escolar e a partir da sua intervenção os contributos dos jovens para o debate passaram a focar-se mais no problema da violência nas escolas do que na educação e na sua relevância para a cidadania propriamente dita.

Clif Cândido foi o convidado que Ana Leal apresentou de seguida, caraterizando-o como elemento da etnia cigana e dinamizador comunitário do Programa Escolhas desde 2003
Este convidado preocupou-se a explicar a conceção de cidadania para a “etnia” cigana, que se resume aos direitos e deveres, sendo que esse é um processo difícil quando as pessoas não dominam as competências básicas necessárias para aceder ao conhecimento. “Na maioria das vezes não sabem os direitos e os deveres que têm” e “a comunidade cigana é passiva, não é ativa” foram algumas das suas frases para ilustrar a realidade cigana onde, disse ainda, persistem muitas limitações de género que oprimem particularmente as mulheres

Clif Cândido disse que “para os ciganos a cidadania está lá, falta apenas despertá-la” e que isso passa por avisar e alertar as pessoas e incluir todos, pois se excluirmos alguém, as pessoas deixam de participar. “Entre nós, a comunidade cigana, somos muito solidários. Só falta passarem esta união para fora e quando isso acontecer a cidadania vai funcionar perfeitamente”, rematou.

A propósito da integração de Clif Cândido enquanto mediador comunitário, Ana Leal perguntou se este sentiu o processo fácil ao que ele respondeu que “no início foi muito difícil. Eu tinha 20 anos e foi difícil porque era um puto. Olhavam para mim com desconfiança. Mas depois do primeiro ano foi sendo mais fácil”.

O papel dos mediadores comunitários foi focado também por alguns dos participantes jovens, havendo vários mediadores presentes na plateia, um dos quais aproveitou para partilhar a sua experiência e recordar que a mediação de conflitos deve pautar-se por muita calma e inteligência.

As conversas nesta mesa redonda foram intercalando entre o esforço dos convidados em manter o tema nas questões da educação e a preocupação dos jovens, para quem os problemas da violência na escola são inibidores da ação cidadã. Foi frequente ouvirem-se palavras como “medo”, “Liberdade”, “exemplo” e “lutar pelo que se acredita”

Das conversas partilhadas pelos participantes ficou a noção deixada por António Fragoso de que a prática da cidadania “requer liberdade” e de que a “cidadania é a área da vida” sendo certo que “a necessidade constante de existirem mediadores é um sinal claro que algo está mal na forma como se exerce a cidadania”. Ou, ainda, a ideia de Lídia Ramos, para quem a “cidadania não são chavões”, mas sim as “pequenas coisas do dia-a-dia e são essas que estão a falhar”.

Outra mensagem, deixada por Ana Paula Grifo, referiu a necessidade de todos serem envolvidos: ”Todos temos vários papéis. Temos de estar disponíveis para escutar os outros, respeitar o próximo e respeitarmo-nos a nós mesmos, pois o respeito individual é importante nisto tudo”.

Voltar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *